Diante da multidão de sofredores desanimados, o Mestre Jesus relacionava os preceitos para a felicidade eterna destacando, com ênfase, que os mansos herdariam a Terra.
Os discípulos, entre si, questionavam:
– Esta afirmação não encorajaria à preguiça mental? Se o Evangelho precisa de espíritos esforçados na divulgação das verdades renovadoras, como conciliar com a falta de coragem? Se o mal era ousado e provocava o sofrimento em todos os níveis, como poderia o bem vencer sem reagir, mesmo que pacificamente?
À noite, os discípulos se reuniram no lar de Simão Pedro para estudos edificantes. Contudo, traziam os questionamentos anteriores e entreolhavam-se curiosos.
Jesus percebia a expectativa de todos, mas esperava, sereno, que se pronunciassem.
Foi então que Judas perguntou:
– Senhor, por que disse que os mansos herdariam a Terra? Os corações acovardados desfrutarão desta bênção? Mesmo aqueles incapazes de comprovar a fé, nos momentos difíceis de luta e sacrifício, serão igualmente abençoados?
Jesus não respondeu, de imediato. Olhou a todos que estavam ao Seu redor, como a esperar por outras dúvidas que tivessem.
Pedro, readquirindo ânimo, perguntou:
– Mestre, se um malfeitor vier a minha casa, não devo lembrar-lhe sobre o respeito para com o próximo? Entregar-me-ei aos erros dele sem qualquer reação, mesmo que fraternalmente, a pretexto de guardar a mansuetude a que o Senhor se refere?
Jesus sorriu, como tantas vezes, e calmamente explicou:
- Não destaquei a preguiça, que se mascara de humildade, nem da covardia que se veste de prudência, conforme as conveniências humanas. As criaturas que se afeiçoam a isso sofrerão duramente para reajustar suas índoles. Exaltei, na realidade, a cortesia, a amabilidade, de que somos credores uns dos outros.
Bem-aventurados os homens de trato ameno que sabem usar a energia construtiva entre o gesto de bondade e o verbo da compreensão!
Bem-aventurados os filhos do equilíbrio e da gentileza que aprendem a negar o mal, sem ferir o irmão ignorante que o solicita sem saber o que pede!
Abençoados os que repetem mil vezes a mesma lição, sem alarde, para que o próximo lhes aproveite a influenciação na felicidade justa de todos!
Bem-aventurados aqueles que sabem tratar o rico e o pobre, o sábio e o inculto, o bom e o mau, com espírito de serviço e entendimento, dando a cada um, de conformidade com os seus méritos e necessidades e deixando os sinais de melhoria, de elevação, bem-estar e contentamento por onde passam!
Em verdade, vos digo que a eles pertencerá o domínio espiritual da Terra, porque todo aquele que acolhe os semelhantes, dentro das normas do amor e do respeito, é senhor dos corações que se aperfeiçoam no mundo!
Compreendida a lição do Mestre, alívio e alegria transbordavam de todos.
Jesus pediu a Mateus que encerrasse o fraterno entendimento da noite, fazendo uma prece.
Matéria extraída do Jornal Seareiros, escrita por Reinaldo e Silvana, adaptação do livro "Jesus no Lar", Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Neio Lúcio, editora FEB, janeiro de 2010.
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