O médium dos pés descalços

August 28, 2014

 

 

VISITAS AOS PRESOS

 

O segundo domingo do mês de maio, Dia das Mães, era o dia escolhido para a visita anual de Chico Xavier aos presos, na Cadeia Pública de Uberaba. Na companhia de alguns poucos amigos, ele se dirigia para lá, onde tinha oportunidade de se encontrar, logo à porta, com as mães que iam visitar os seus filhos presos.

— Escolhi este dia, - explicava, em conversa discreta conosco - porque também é o dia que as mães que têm filhos presos mais sofrem... Coitadas! Não é fácil para elas verem os filhos ainda tão jovens sentenciados à prisão...Enquanto esperávamos a liberação do delegado de plantão, Chico ia conversando com uma e com outra que dele se aproximava para receber algumas palavras de conforto.

Impressionava-me o respeito com que Chico era tratado por todos, inclusive pelos próprios policiais que o tratavam como se ele fosse uma autoridade. No percurso pelos estreitos corredores, ele ia parando de cela em cela, com os presos a tratá-lo por "tio" Chico e a beijar-lhe as mãos por entre as grades, gesto que ele, de imediato, fazia questão de retribuir.

— Quantos somos aí dentro? - perguntava ao líder dos demais.A gente se entreolhava, anotando a lição: "Quantos somos aí dentro!!!..."Interessante que Chico não fazia pregação alguma.

Em cada cela, entregava alguns cobertores - muitos dormiam no chão —, pães, doces e até cigarros.

— Nós não podemos vir aqui pregar moral para quem está preso. - observava.

Certa vez, nesse sentido, ele nos transmitira precioso ensinamento de Emmanuel: "O criminoso é qualquer um de nós que foi descoberto".Se algum preso, porém, lhe pedisse um livro, ele fazia questão de anotar o nome e o número da cela, prometendo enviá-lo autografado. Eu nunca presenciei o Chico tentando converter alguém ao Espiritismo! A pregação dele era através do exemplo, e, assim, ele tocava o coração de todos, que se rendiam aos seus gestos de compreensão e bondade.Numa de suas visitas à Cadeia, um companheiro tirou uma máquina fotográfica e tentou sacar uma foto dele com os presos apinhados à porta de uma das celas. Instintivamente, os detentos recuaram e Chico, então, advertiu o amigo:

— Não, meu filho, não faça isso! Os nossos irmãos não querem publicidade! Imaginemos nós, com as nossas feridas expostas publicamente...Cada detalhe, a fim de não ferir ninguém, era observado por ele.

De quando a quando, nos corredores da Cadeia, uma mãe sofredora se aproximava, solicitando, com o nome do filho preso escrito num pedaço de papel: "Faça uma prece pelo meu filho, Chico!..."

— Vamos pedir, minha filha, vamos pedir... - respondia ele, dobrando o papel e colocando no bolso do paletó, com infinita ternura na voz e no olhar.

 

Do Livro "Chico Xavier - O médium dos pés descalços" - Carlos BaccelliCapítulo " VISITAS AOS PRESOS "Editora Vinha de Luz: http://www.vinhadeluz.com.br/Livro: http://www.vinhadeluz.com.br/site/produto.php?n=24

 

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