OS MECANISMOS DO PROCESSO OBSESSIVO

November 4, 2014

 

 

A ciência oficial não reconhece a existência dos Espíritos e, consequentemente, não reconhece a sua ação sobre as pessoas encarnadas, no sentido de provocar-lhes enfermidades de todos os matizes, das quais a mais comum e a mais evidente é a obsessão.

A obsessão é o assédio constante de um Espírito, ou de um grupo de Espíritos, sobre a mente de uma pessoa de modo a interferir em sua vontade e mesmo substituir-se a ela, parcial ou totalmente.

Geralmente, as pessoas mais suscetíveis de serem obsediadas são médiuns, porque elas são intermediárias naturais entre o mundo visível e o mundo invisível, entre os Espíritos encarnados e os Espíritos desencarnados, e quando não têm consciência de sua mediunidade, não a desenvolvem, não a colocam a serviço do bem, não lhe disciplinam o exercício, em uma palavra, ficam a mercê dos Espíritos inferiores.

No entanto, quando um Espírito desencarnado mau, se identifica de alguma sorte com um Espírito encarnado, por exemplo, pelos laços da culpa, a atuação pode se dar mesmo que não haja mediunidade, sendo, portanto, caso particular de sintonia ou de ligação, ensejando o assédio.

Pelo que está dito acima, e que parece ser a realidade, apenas os Espíritas estão aptos a auxiliaras pessoas obsediadas, pelo simples motivo de que só eles acreditam na sobrevivência do Espírito, na sua comunicabilidade e no seu poder de interferência no mundo mental das pessoas encarnadas, assim como na sua capacidade de produzirem as mais variadas doenças no corpo físico do Espírito encarnado, desde a mais simples dor de cabeça à provocação da morte por processos magnéticos que estão ao seu alcance, como veremos adiante.

Em vista disso, todo Centro Espírita deveria ter um serviço de atendimento e tratamento para as pessoas obsediadas que o procurassem.

Para falarmos do modo de atuação dos Espíritos sobre os Espíritos encarnados, nos são necessárias algumas considerações preliminares quanto à natureza eletromagnética do corpo físico, do corpo espiritual e do próprio Espírito.

Segundo nos ensina André Luiz (1) tudo o que existe e enche o Universo é energia, e essa energia é de natureza eletromagnética, como o próprio fluido universal, e derivada dele. O que chamamos matéria não seria mais do que uma aparência que fere os nossos sentidos, uma vez que a matéria é a energia tornada visível e a energia é nossa única realidade.

Essa energia, irradiada essencialmente do Criador e secundariamente de todos os corpos magnéticos que existem no Universo, em forma de ondas eletromagnéticas, embora tenha a mesma substância, se diferencia pela sua frequência ou comprimento de onda medida crista a crista, que corresponde, em corrente alternada, a um hertz ou um ciclo. As ondas da radiodifusão sonora são medidas em kilociclos (ondas longas e médias) e megaciclos (ondas curtas e ultra curtas). Embora não conheçamos a frequência dessa energia que enche o espaço em ondas magnéticas, sabemos que são da mesma substância das da radio difusão sonora, e isto já nos parece um dado muito ilustrativo.

Pela prática de ouvintes de rádio e televisão, sabemos que existem ondas no éter de variadíssimas frequências convivendo juntas, disponíveis para serem sintonizadas, desde que existam os aparelhos adequados para essa sintonia.

Não se trata aqui de um curso de eletrotécnica ou de eletrônica, mas de um esforço para se chegar à noção de que somos, acima de tudo, energia, e, dito isto, de que nossa individualidade integral comporta pelo menos três faixas de frequência (ou três dimensões) em que se situam o corpo físico, o corpo espiritual e o corpo mental com o Espírito.

Pelo corpo físico, participamos da vida na faixa vibratória correspondente ao plano da carne; pelo perispírito participamos da vida na faixa vibratória correspondente ao mundo invisível ou espiritual; e pelo corpo mental, participamos da vida na faixa vibratória correspondente a estado vibratório que está acima dessas duas faixas mencionadas, que são contíguas, ou se interpenetram.

Precisamos compreender também que, para o nosso entendimento, consideramos matéria tudo o que fere os nossos sentidos, ou o que faz parte de nosso plano de vida, e que, tudo o mais, consideramos como sendo do plano espiritual. Ocorre que o mundo espiritual tem também a sua matéria que é justamente a que compõe o perispírito, e cuja única diferença com a nossa é de que está em faixa vibratória (frequência) diferente da nossa, sendo, no entanto, da mesma substância, que é o fluido universal que nos é próprio.

Outra coisa que precisamos entender é que toda energia que nos chega nos vem através do perispírito, passando depois para o corpo físico, assim como todo pensamento (que também é energia) que captamos.

Vamos considerar, agora, o processo de atuação dos Espíritos desencarnados sobre os Espíritos encarnados.

Naturalmente, a obsessão gradua-se desde a simples atuação de pequeno curso, por causas momentâneas e acidentais, até às perseguições tenazes que se convertem em possessão ou subjugação, às vezes com causas que vêm de existências anteriores, em complicados processos reencarnatórios.

Vamos cuidar aqui apenas do processo de atuação que, no fundo, é o mesmo para todos os casos, do mais leve ao gravíssimo.

O que precisamos entender primeiro é por onde irradiamos nossas energias, nossos pensamentos, e por onde penetram em nós as energias, os pensamentos alheios

Ensina-nos André Luiz que essa transcepção mental se processa através da aura ou halo magnético das pessoas. Primeiro vamos anotar como ele nos detalha a aura, em seu livro Evolução em Dois Mundos, a saber:

"Considerando toda célula em ação por unidade viva, qual motor microscópico, em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas radiações se articulem, através de sinergias funcionais, a se constituírem de recursos que podemos nomear por “tecidos de força”, em torno dos corpos que as exteriorizam.

"Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de um "halo energético” que lhes corresponde à natureza."

Vemos, pois, que as células de todos os seres vivos, como unidades vivas, irradiam sua energia e, da soma da irradiação das células, tanto do corpo físico quanto do corpo espiritual, surge a aura, ou halo energético do ser vivo. Mas prossigamos.

“No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido campo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura.

“Nas reentrâncias e ligações sutis dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetas e das metas que demanda."

Vemos, pois, que, nessa túnica magnética que o homem veste, circula o pensamento, antes de irradiá-la no rumo dos objetos e das metas a que se destina. Prossigamos.

“A aura é, portanto, a nossa plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do Espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa.

"Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contactos de pensamento a pensamento, sem necessidade de palavras para as simpatias e repulsões fundamentais."

Vê-se, pois, que nada chega ao Espírito sem passar por essa plataforma onipresente, por essa antecâmara do Espírito, no nosso intercâmbio com as rotas alheias, com a vida que nos rodeia, em nossos contactos pensamento a pensamento. Mas prossigamos.

“É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica, em que cada consciência constrói o seu ninho ideal, que começaram todos os serviços da mediunidade na Terra, considerando-se a mediunidade como atributo do homem encarnado para corresponder-se com os homens liberados do corpo físico."

A aura é, pois, uma couraça fluídica onde devem se chocar, sem penetrar, todos os pensamentos negativos que nos buscarem, quando estivermos equilibrados e ela estiver brilhando no bem que nos anima.

Sem que façamos dela o tema central de nosso estudo, cremos que pelo que nos ensina André Luiz, já podemos nos conscientizar de que nossa aura é a antena através da qual irradiamos nossos pensamentos ou captamos os pensamentos alheios com os quais ela sintoniza.

Passemos, pois, a considerar agora como age o Espírito obsessor, o Espírito que vai tentar invadir a nossa mente e impor o seu pensamento, que reflete a sua vontade, para subjugara nossa vontade e deter o livre curso da nossa faculdade de pensar por nós mesmos.

Ainda é do mesmo Autor, em seu livro Ação e Reação (2) que vamos retirar um exemplo, que pode ser considerado padrão, a nos mostrar como agem os Espíritos obsessores.

“Creio que, em me assinalando o interesse no aprendizado em curso, o Assistente pediu ao irmão de Clarindo alguma demonstração prática do que afirmara teoricamente para nosso estudo, ao que assentiu com prazer, informando:

“– O avarento sob nossa vista guarda o propósito de comprar ou extorquir determinada gleba vizinha, a qualquer preço, mesmo em se tratando de transação criminosa, para valorizar as aguadas da propriedade que nos pertence. Tratando-se de assunto do tema essencial da existência dele, que é a cobiça, facilmente recolherá as imagens que eu lhe deseje transmitir, utilizando-me da própria onda mental em que as suas idéias habitualmente se exprimem...

"E, passando das palavras para a ação, colocou a destra sobre a fronte de Luís, mantendo-se na profunda atenção do hipnotizador governando a presa.

“Vimos o pobre amigo, desligado do corpo físico, arregalar os olhos com a volúpia do faminto que contempla um prato saboroso, a distancia, a exibir uma carantonha de maldade satisfeita, falando a sós:

"– Agora! agora! as terras serão minhas! muito minhas! Ninguém concorrerá com meus preços! ninguém!...

"Logo após, afastou-se, lépido, com a expressão indefinível de um louco.

"Acompanhamo-lo até a saída e, da extensa varanda, podíamos vê-lo, avançando,à pressa, desaparecendo por fim, no grande maciço de arvoredo próximo, na direção da fazendola fronteiriça.

“– Viram? – exclamou Leonel, contente – transmiti-lhe ao campo mental um quadro fantástico, através do qual as terras do vizinho estariam em leilão, caindo-lhe, enfim, nas unhas. Bastou que eu mentalizasse uma tela nesse sentido, arquitetando o sítio à venda, para que ele a tornasse por realidade indiscutível, porquanto, em se tratando de nosso reflexo fundamental, somos induzidos a crer naquilo que desejamos aconteça... Tão logo termine o fluxo controlado de minha influenciação hipnótica, re- tornará o corpo carnal, lambendo os beiços, na certeza de haver sonhado com a falência da granja sobre a qual pretende um título de posse."

Sem dúvida que esse é o procedimento normal de transmissão, servindo para exemplificar todos os casos, de menor ou de maior gravidade, valendo ressaltar que o obsessor estava diante de uma vítima já dominada, sem qualquer defesa em sua aura, permitindo-lhe livre acesso à mente já enfermiça.

Em seguida teremos a explicação do processo em termos comparativos com as ondas de rádio e televisão e, por isto, rogamos aos caros leitores muita atenção para os detalhes, a saber:

"Silas, com manifesta intenção, ajuntou sereno:

“– Ah! sim!... Estamos diante de um processo de transmissão de imagens, até certo ponto análogo aos princípios dominantes na televisão, no reino da eletrônica, atualmente em voga no plano terrestre. Sabemos que cada um de nós é um fulcro gerador de vida, com qualidades específicas de emissão e recepção. O campo mental do hipnotizador, que cria no mundo da própria imaginação as formas-pensamentos que deseja exteriorizar, é algo semelhante à câmara de imagem do transmissor comum, tanto quanto esse dispositivo é idêntico, e seus valores, à câmara escura da máquina fotográfica. Plasmando a imagem da qual se propõe extrair o melhor efeito, arroja-a sobre o campo mental do hipnotizado que, então, procede à guisa de mosaico em televisão ou de maneira de película sensível no serviço fotográfico. Não ignoramos que na transmissão a distância, o mosaico, recolhendo os quadros que a câmara está explorando, age como um espelho sensibilizado, convertendo os traços luminosos em impulsos elétricos e arremessando-os sobre o aparelho de recepção que os recebe, através de antenas especiais, reconstituindo com eles as imagens pelos chamados sinais de vídeo, e recompondo, dessa forma, as cenas televisadas na face do receptor comum. No problema em estudo, você, Leonel, criou os quadros que se propôs transmitir ao pensamento de Luís, e, usando as forças positivas da vontade, coloriu-os com os seus recursos de concentração na sua própria mente, que funcionou como câmara de imagem. Aproveitando a energia mental, muito mais poderosa que a força eletrônica, projetou-as, como legítimo hipnotizador, sobre o campo mental de Luís, que funcionou qual mosaico, transformando as impressões recebidas em impulsos magnéticos, a reconstituírem as formas-pensamentos plasmadas por você nos centros cerebrais, por intermédio dos nervos que desempenham o papel de antenas específicas, a lhe fixarem as particularidades na esfera dos sentidos, num perfeito jogo alucinatório, em que o som e a imagem se entrosam harmoniosamente, como acontece na televisão, em que a imagem e o som se associam como apoio eficiente de aparelhos conjugados, apresentando no receptor uma sequência de quadros que poderíamos considerar como sendo "miragens técnicas”."

Eis, pois, o sistema, que pode ser considerado padrão, de introdução de idéias em nossa mente, ou imagens porque, na verdade, nós não pensamos por palavras mas por imagens.

Para dar uma idéia do grau do assédio espiritual, digamos que se trata de um processo de vingança, contra um irmão que matou seus dois irmãos para ficar com sua herança, uma fazenda que está na posse do filho do assassino, sendo que este morreu e sofreu-lhes a perseguição até há pouco tempo, quando foi libertado pelas Forças do Bem.

Há, pois, um ascendente dos opressores sobre os oprimidos que é o sentimento de culpa que os coloca à mercê daqueles.

Por outro lado, muita gente desconhece os requintes que tornam certos Espíritos, nos processos obsessivos, tendo em vista a preparação que as Inteligências Criminosas proporcionam a todos aqueles que se colocam ao serviço do mal, de modo a manter o homem encarnado preso nos seus processos de sevícias e de vampirismo.

Pois estes dois perseguidores, conforme relataram a André Luiz, para melhor realizarem sua vingança, cursaram uma escola de vingadores onde os Espíritos empreiteiros do mal, ensinam as técnicas de assédio, Vejamos o que dizem a respeito.

"No entanto, presentemente – informou Clarindo, magoado –, o criminoso que sitiávamos nas trevas nos foi arrebatado à vigilância. Disporemos de mais tempo para acelerar a nossa desforra. Pagará o filho dobrado preço, já que a assassino foi ocultado aos nossos olhos...

"Longe de qualquer precipitação na defesa da verdade e do bem, o Assistente falou, calmo:

"- O esclarecimento nos faz crer que este homem – e designou Luís, que prosseguia fascinado pelos maços de cédulas da gaveta abarrotada –, além do apego enfermiço à precária riqueza humana, ainda sofre a pressão de outras mentes, alucinadas quanto a dele, nos enganos da posse material. Neste caso, o doentio desejo de que se sente objeto é naturalmente elevado à tensão máxima...

“Leonel, percebendo que Silas penetrava o âmago do problema com surpreendente facilidade, explicou, entusiasmado:

"– Sim, aprendemos na escola de vingadores que todos possuímos, além dos desejos imediatistas comuns, em qualquer fase da vida, um "desejo-central "ou "tema básico” dos interesses mais íntimos. Por isso, além dos pensamentos vulgares que nos aprisionam à experiência rotineira, emitimos com mais frequência os pensamentos que nascem do "desejo-central”que nos caracteriza, pensamentos esses que passam a constituir o reflexo dominante de nossa personalidade. Desse modo, é fácil reconhecer a natureza de qualquer pessoa, em qualquer plano, através das ocupações e posições em que prefira viver. Assim é que a crueldade é o reflexo do criminoso, a cobiça é o reflexo do usurário, a maledicência é o reflexo do caluniador, o escárnio é o reflexo do ironista e a irritação é o reflexo do desequilibrado, tanto quanto a elevação moral é o reflexo do santo... Conhecido a reflexo da criatura que nos propomos retificar ou punir é, assim, muito fácil superalimentá-la com excitações constantes, robustecendo-lhe os impulsos e os quadros já existentes na imaginação e criando outros que se lhes superponham, nutrindo-lhe, dessa forma, a fixação mental. Com esse objetivo, basta alguma deligência para situar, no convívio da criatura malfazeja que precisamos corrigir, entidades outras que se lhe adaptem ao modo de sentir e de ser, quando não possamos por nós mesmos, à falta de tempo, criar as telas que desejemos, com vistas aos fins visados, por intermédio da determinação hipnótica. Através de semelhantes processos, criamos e mantemos facilmente o “delírio psíquico" ou a "obsessão", que não passa de um estado anormal da mente, subjugada pelo excesso de suas próprias criações a pressionarem o campo sensorial, infinitamente acrescidas de influência direta e indireta de outras mentes desencarnadas ou não, atraídas por seu próprio reflexo.

"E, sorrindo, o inteligente perseguidor disse sarcástico;

"– Cada um é tentado exteriormente pela tentação que alimenta em si próprio."

No caso, diga-se de passagem, os Espíritos vingadores haviam colocado ao redor de Luís um grupo de Espíritos avarentos fixados nos mesmos problemas para lhe aumentar o estado mental obsessivo.

Esse recurso é usado, talvez, em quase todos os casos de obsessão, uma vez que, aos Espíritos do mal, é fácil aliciar criaturas infelizes que perambulam inconscientes, mergulhadas num monoideísmo imposto pelos Espíritos perversos.

Podemos ver, assim, pelo exemplo que colhemos, que um processo obsessivo, especialmente de vingadores, bem conduzido pode levar facilmente uma pessoa à loucura se não for socorrida em tempo, e quantas delas há internadas nos hospitais de alienados!

Demais disso, os Espíritos do mal contam com a possibilidade de contratar outros Espíritos iguais para a realização de uma empreitada obsessiva.

A fim de não nos alongarmos muito, vamos retirar apenas um pequeno trecho do livro, do mesmo Autor, Sexo e Destino (3) onde se refere a um grupo de auxiliares contratados pelo obsessor de uma jovem a fim de apressar a sua loucura e a sua internação num hospital, o que conseguiram em poucos dias:

"Preocupava-se por Marina. Indispensável protegê-la contra a obsessão começante.

"Afastara-se Moreira; no entanto, permaneciam lá, no pátio interno, os arruaceiros e vampirizadores que ele contratara. Perseguidores gratuitos e infelizes que, inevitavelmente, trariam outros para tumultuar a vida mental da moça, comprometida pelo remorso."

Cremos que o apontamento basta para nos garantir que, no mundo espiritual, há essa possibilidade de contratar verdugos para ajudarem nos processos obsessivos.

Vimos, pois, como transcorre, de modo geral, o processo obsessivo, a interferência de Inteligências do mal sobre pessoas visadas, marcadas para punição ou retificação como alegam os supostos executores da Lei ao se apossarem de consciências culpadas.

Esse mecanismo, como dissemos, está presente em todo processo obsessivo, seja ele executado com requintes de técnica ou de maneira simples pelos Espíritos obsessores.

O pensamento é força eletromagnética, afirma Emmanuel em seu livro Pensamento e Vida (4).

E é o pensamento, justamente essa força eletromagnética, que circula de mente a mente, carregado com as energias de nossa vontade que lhe dá caráter positivo ou negativo, a influir no campo eletromagnético de nosso semelhante produzindo-lhe alegria ou tristeza, bem-estar ou desânimo, otimismo ou pessimismo, serenidade ou angústia, calma ou raiva, em correspondência com a carga de vontade com a qual está impregnado.

Precisamos aprender a desvendar a natureza e ação do pensamento a fim de que possamos aproveitar todo o nosso potencial a nos fluir do Espírito incessantemente, uma vez que somos donos do pensamento contínuo e continuamente estamos nos projetando no espaço com nossas energias criadoras ou destruidoras, de conformidade com a nossa posição mental.

Precisamos finalmente compreender que esse mecanismo do processo obsessivo é o mesmo mecanismo do processo curador sendo este apenas a transmissão de energias positivas, destinadas a restabelecer o equilíbrio das partes doentes de nosso ser.

Para que possamos entender, mais de perto, essa semelhança de processo, vamos recorrer, ainda uma vez, aos ensinos de André Luiz, em seu livro Libertação (5) quando, prestando socorro a um grupo de Espíritos que se dispunham a seguir os Mensageiros do Bem, necessitou de um magnetizador e, tendo pedido socorro ao Assistente que dirigia os trabalhos assistenciais, este lhe indicou um Espírito que, até então, e recém-convertido, magnetizava uma jovem, à frente de um grupo de sessenta obsessores, para desencarná-la bem depressa. Eis o relato:

"O pobre beletrista desencarnado contorcia-se em meus braços, sem que eu pudesse socorrer-lhe a mente transviada a ferida.

"Cautelosamente, enviei um emissário a Gúbio, que compareceu, em alguns segundos.

"Examinou o caso e pediu a presença de Leôncio, o ex-hipnotizador de Margarida. À frente do recém-chegado, indicou-lhe o doente em crise e falou peremptório, mas bondoso;

“– Opera, aliviando.

"– Eu? eu? – falou o convertido, semi-apalermado – merecerei a graça de transmitir alívio?...

“Gúbio, no entanto, obtemperou, sem hesitar:

“– Serviço construtivo e atividade destrutiva constituem problema de direção. A corrente líquida, devastadora, que derruba e mata, pode sustentar uma usina de força edificante. Em verdade, meu amigo, todos somos devedores, enquanto nos situamos nas linhas do mal. É imperioso reconhecer, contudo, que o bem é a nossa porta redentora. O maior criminoso pode abreviar longos anos de pena, entregando-se ao resgate próprio, através do serviço benéfico aos semelhantes.

"Dissipando-lhe as dúvidas, acentuou com inflexão de ternura:

“– Começa hoje, aqui e agora, com o Cristo. Em tua determinação de ajudar, esconde-se a solução do segredo da felicidade própria.

“Leôncio não mais vacilou.

"Magnetizou o enfermo dementado que, poucos minutos depois, silenciou, em profundo repouso.”

O exemplo é tanto mais vivo e ilustrativo quando se considera que, a última magnetização daquele convertido, fora para exauriras forças de pobre doente, e que, agora, mudando a direção de sua vontade, diante de sua própria surpresa, conseguia aliviar mente mergulhada em profunda crise, iniciando seu trabalho no bem.

Na verdade, em futuro muito próximo, vamos entender que não necessitamos do concurso de ninguém para restabelecermos o equilíbrio de nosso ser, nos organismos de sua tríade, uma vez que dispomos do próprio pensamento que podemos dirigir para dentro de nós mesmos, com toda a sua força criadora e regenerativa, e isto acontecerá justamente quando o homem conseguir desvendar a natureza e a ação do pensamento, cujo poderio agora desconhece.

Mais acima, em transcrição que fizemos, Silas nos afirmou que a energia mental é muito mais poderosa do que a força eletrônica e, sem dúvida, deve ser assim mesmo.

Costumamos lembrar, para demonstrar a ignorância em que estamos, à respeito do assunto pensamento e vontade, um fato há muito tempo corriqueiro em consultórios odontológicos:

Com o emprego do hipnotismo, o hipnotizador convence o paciente de que lhe vai ser arrancado um dente, sem anestesia, e ele não irá sentir qualquer dor, e também não sairá nenhum sangue. Com essa simples indução, de fora para dentro, a extração é feita sem dor e sem qualquer sangramento. Temos que convir que se trata de verdadeiro prodígio a alterar os efeitos de tamanha agressão orgânica.

Agora imaginemos o que poderemos fazer em nós mesmos quando tivermos consciência dessa força interior e soubermos empregá-la em nosso favor, na restauração do equilíbrio próprio!

Temos muito que aprender a respeito de nós mesmos e, para isso, precisamos ter o espírito aberto na análise das coisas, de modo a não nos atemorizarmos com novidades, desde que sejam lógicas e não firam o senso comum.

Como vemos pelas transcrições feitas, os Espíritos estão abrindo portas para o conhecimento das coisas, especialmente para o conhecimento do homem, a fim de que a Humanidade mais depressa se beneficie na conquista da paz e do equilíbrio que todos almejamos.


(1) Evolução em Dois Mundos, Francisco Cândido Xavier – André Luiz, 12 edição, FEB.
(2) Francisco Cândido Xavier-André Luiz, 15edição, FEB.
(3) Francisco Cândido Xavier-Waldo Vieira -André Luiz, 17 edição, FEB.
(4) Francisco Cândido Xavier – Emmanuel, 9 edição, FEB.
(5) Francisco Cândido Xavier – André Luiz, 14 edição, FEB.


Matéria extraída da Revista Espírita ano I Março de 1995 Nº 3, escrita por Salvador Gentile, editora IDE.

 

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