REVELAÇÃO PROGRESSIVA

December 3, 2014

 

 

 

REVELAÇÃO PROGRESSIVA

 

 

 

Em passado distante os conhecimentos sobre a vida e o mundo que nos cerca eram, naturalmente, muito reduzidos, com larga margem para a fantasia e a superstição. Acreditava-se, por exemplo, que todas as estrelas estavam à mesma distância de nós, pois seriam como que lâmpadas presas a um teto circular que envolvia a Terra e que por isso se chamava abóbada celeste. 

 

As grandes mensagens religiosas da Antigüidade trataram assim, essencialmente, de três temas: a existência de um poder supremo, a afirmação de nossa natureza espiritual e o estabelecimento de diretrizes para nosso comportamento. Afirmavam, também, que o universo era uma criação divina, mas sem aprofundarem esse ponto ou oferecendo a respeito dele descrições simbólicas nas quais se refletiam as características e limitações dos ambientes em que surgiram. 

 

Tomando por verdades aquelas alegorias, imaginava-se, então, que o processo criativo fora súbito, instantâneo, fazendo Deus que surgissem do nada os mundos e os seres tais como os vemos hoje, equívoco que perdurou por muito tempo. O desenvolvimento da Ciência, contudo, veio mostrar outra realidade. A existência material acha-se em permanente mudança, que se processa, por vezes, em períodos extremamente longos em comparação com a vida humana, resultando a situação atual de nosso planeta de transformações sucessivas que a pesquisa científica consegue descrever com crescente precisão. O mesmo ocorre no universo onde a astronomia constata o nascimento e morte de corpos celestes. 

 

Chegando à humanidade em meados do século XIX, quando a Ciência já se afirmara como força propulsora do progresso, a revelação espírita se apresenta também com caráter científico por empregar a observação e o controle racional no estabelecimento dos princípios e fatos que aceita. Como observou Allan Kardec: "Um último caráter da revelação espírita, e que é devido às próprias condições em que é feita, é que, baseando-se nos fatos, ela é e não podia deixar de ser essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação". O que realmente tem ocorrido pois nestes 144 anos de existência do Espiritismo, novos conhecimentos foram trazidos sobre as condições de vida na Espiritualidade, sendo, igualmente, estudados e explicados os aspectos espirituais de conquistas recentes como os transplantes, o congelamento de embriões e a clonagem. 

 

Em suma, o avanço científico, constatando em toda a parte a complexidade e o equilíbrio da vida, evidencia, cada vez mais, a perfeição divina. E conforme acentua o Codificador: "As descobertas da Ciência glorificam a Deus em vez de rebaixá-Lo; só destroem aquilo que os homens construíram baseados em idéias falsas que fizeram de Deus".

 

"A Gênese" - Cap. I (55).

 

 

 

 

A colaboração constante serve para o contínuo aprimoramento do conhecimento*

 

 

Até agora o melhor "Consolador" para esta passagem foi a Terezinha de Oliveira. Tome muito cuidado com este tipo de informação: "Porém, pensamos que há mais o que refletir sobre o assunto. Segundo anotação do Espírito Humberto de Campos através da mediunidade do nosso querido Chico Xavier, a partir de um encontro com o Espírito do apóstolo Pedro na espiritualidade,todas as obras a que se referem os evangelistas são profundamente verdadeiras.1" Você esta contrariando esta: 

13.. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.

 

51...Ora, cada centro isolado, circunscrito dentro de um círculo restrito, não vendo as mais das vezes senão uma ordem particular de fatos, não raro contraditórios na aparência, geralmente provindo de uma mesma categoria de Espíritos e, ao demais, embaraçados por influências locais e pelo espírito de partido, se achava na impossibilidade material de abranger o conjunto e, por isso mesmo, incapaz de conjugar as observações isoladas a um princípio comum. Apreciando cada qual os fatos sob o ponto de vista dos seus conhecimentos e crenças anteriores, ou da opinião especial dos Espíritos que se manifestassem, bem cedo teriam surgido tantas teorias e sistemas, quantos fossem os centros, todos incompletos por falta de elementos de comparação e exame. Numa palavra, cada qual se teria imobilizado na sua revelação parcial, julgando possuir toda a verdade, ignorando que em cem outros lugares se

obtinha mais ou melhor.

 

52. - A revelação fez-se assim parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários e é dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado. Cada centro encontra nos outros centros o complemento do que obtém, e foi o conjunto, a coordenação de todos os ensinos parciais que constituíram a Doutrina Espírita.

 

Era preciso, numa palavra, um centro de elaboração, independente de qualquer. idéia preconcebida, de todo prejuízo de seita, resolvido a aceitar a verdade tornada evidente, embora contrária às opiniões pessoais. Este centro se formou por si mesmo, pela força das coisas e sem desígnio premeditado. (1)

__________

(1) O Livro dos Espíritos, a primeira obra que levou o Espiritismo a ser considerado de

um ponto de vista filosófico, pela dedução das conseqüências morais dos fatos; que considerou

todas as partes da doutrina, tocando nas questões mais importantes que ela suscita, foi, desde o

seu aparecimento. o ponto

 

Mas, como se há de saber se um princípio é ensinado por toda parte, ou se apenas exprime uma opinião pessoal? Não estando os grupos independentes em condições de saber o que se diz alhures, necessário se fazia que um centro reunisse todas as instruções, para proceder a uma espécie de apuro das vozes e transmitir a todos a opinião da maioria. (1)

 

 (1) Esse o objeto das nossas publicações, que se podem considerar o resultado de um trabalho de apuro. Nelas, todas as opiniões são discutidas, mas as questões somente são apresentadas em forma de princípios, depois de haverem recebido a consagração de todas as comprovações, as quais, só elas, lhes podem imprimir força de lei e permitir afirmações. Eis por que não preconizamos levianamente nenhuma teoria e é nisso exatamente que a doutrina, decorrendo do ensino geral, não representa produto de um sistema preconcebido. É também donde tira a sua força e o que lhe garante o futuro.

 54. - Nenhuma ciência existe que haja saído prontinha do cérebro de um homem. Todas, sem exceção de nenhuma, são fruto de observações sucessivas, apoiadas em observações precedentes, como em um ponto conhecido, para chegar ao desconhecido. Foi assim que os Espíritos procederam, com relação ao Espiritismo. Daí o ser gradativo o ensino que ministram. Eles não enfrentam as questões, senão à medida que os princípios sobre que hajam de apoiar-se estejam suficientemente elaborados e amadurecida bastante a opinião para os assimilar. É mesmo de notar-se que, de todas as vezes que os centros particulares têm querido tratar de questões prematuras, não obtiveram mais do que respostas contraditórias, nada concludentes.

Quando, ao contrário, chega o momento oportuno, o ensino se generaliza e se unifica na quase universalidade dos centros. Há, todavia, capital diferença entre a marcha do Espiritismo e a das ciências; a de que estas não atingiram o ponto que alcançaram, senão após longos intervalos, ao passo que alguns anos bastaram ao Espiritismo, quando não a galgar o ponto culminante, pelo menos a recolher uma soma de observações bem grande para formar uma doutrina. Decorre esse fato de ser inumerável a multidão de Espíritos que, por vontade de Deus, se manifestaram simultaneamente, trazendo cada um o contingente de seus conhecimentos.

Resultou dai que todas as partes da doutrina, em vez de serem elaboradas sucessivamente durante longos anos, o foram quase ao mesmo tempo, em alguns anos apenas, e que bastou reuni-las para que estruturassem um todo. Quis Deus fosse assim, primeiro, para que o edifício mais rapidamente chegasse ao ápice; em seguida, para que se pudesse, por meio da  comparação, conseguir uma verificação, a bem dizer imediata e permanente, da universalidade do ensino, nenhuma de suas partes tendo valor, nem autoridade, a não ser pela sua conexão com o conjunto, devendo todos harmonizar-se, colocado cada um no devido lugar e vindo cada um na hora oportuna. Não confiando a um único Espírito o encargo de promulgar a doutrina, quis Deus, também, que, assim o mais pequenino, como o maior, tanto entre os Espíritos, quanto entre os homens, trouxesse sua pedra para o edifício, a fim de estabelecer entre eles um laço de solidariedade cooperativa, que faltou a todas as doutrinas decorrentes de um tronco único. Por outro lado, dispondo todo Espírito, como todo homem, apenas de limitada soma de conhecimentos, não estavam eles aptos, individualmente, a tratar ex-professo das inúmeras questões que o Espiritismo envolve. Essa ainda uma razão por que, em cumprimento dos desígnios do Criador, não podia a doutrina ser obra nem de um só Espírito, nem de um só médium. Tinha que emergir da coletividade dos trabalhos, comprovados uns pelos outros.

 

60. - Os Espíritos não se manifestam para libertar do estudo e das pesquisas o homem, nem para lhe transmitirem, inteiramente pronta, nenhuma ciência. Com relação ao que o homem pode achar por si mesmo, eles o deixam entregue às suas próprias forças. Isso sabem-no hoje perfeitamente os espíritas

 

Nem só, entretanto, à vida futura dizem respeito os frutos que o homem deve colher dela. Ele os saboreará na Terra, pela transformação que estas novas crenças hão de necessariamente operar no seu caráter, nos seus gostos, nas suas tendências e, por conseguinte, nos hábitos e nas relações sociais. Pondo fim ao reino do egoísmo, do orgulho e da incredulidade, elas preparam o do bem, que é o reino de Deus, anunciado pelo Cristo. 

 

Caracteres da revelação espírita. Pedimos séria atenção para esse ponto, porque, de certo modo, está aí o nó da questão.

 

Sem embargo da parte que toca à atividade humana na elaboração desta doutrina, a iniciativa da obra pertence aos Espíritos, porém não a constitui a opinião pessoal de nenhum deles.

Ela é, e não pode deixar de ser, a resultante do ensino coletivo e concorde por eles dado. Somente sob tal condição se lhe pode chamar doutrina dos Espíritos. Doutra forma, não seria mais do que a doutrina de um Espírito e apenas teria o valor de uma opinião pessoal.

Generalidade e concordância no ensino, esse o caráter essencial da doutrina, a condição mesma da sua existência, donde resulta que todo princípio que ainda não haja recebido a consagração do controle da generalidade não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina. Será uma simples opinião isolada, da qual não pode o Espiritismo assumir a responsabilidade. Essa coletividade concordante da opinião dos Espíritos, passada, ao demais, pelo critério da lógica, é que constitui a força da doutrina espírita e lhe assegura a perpetuidade. Para que ela mudasse, fora mister que a universalidade dos Espíritos mudasse de opinião e viesse um dia dizer o contrário do que dissera. Pois que ela tem sua fonte de origem no ensino dos Espíritos, para que sucumbisse seria necessário que os Espíritos deixassem de existir. É também o que fará que prevaleça sobre todos os sistemas pessoais,

cujas raízes não se encontram por toda parte, como com ela se dá.

O Livro dos Espíritos só teve consolidado o seu crédito, por ser a expressão de um pensamento coletivo, geral. Em abril de 1867, completou o seu primeiro período decenal. Nesse intervalo, os princípios fundamentais, cujas bases ele assentara, foram sucessivamente completados e desenvolvidos, por virtude da progressividade do ensino dos Espíritos. Nenhum, porém, recebeu desmentido da experiência; todos, sem exceção, permaneceram de pé, mais vivazes do que nunca, enquanto que, de todas as idéias contraditórias que alguns tentaram opor-lhe, nenhuma prevaleceu, precisamente porque, de todos os lados, era ensinado o contrário. Este o resultado característico que podemos proclamar sem vaidade, pois que jamais nos atribuímos o mérito de tal fato.Os mesmos escrúpulos havendo presidido à redação das nossas outras obras, pudemos, com toda verdade, dizê-las: segundo o Espiritismo, porque estávamos certo da conformidade delas com o ensino geral dos Espíritos. O mesmo sucede com esta, que podemos, por motivos semelhantes, apresentar como complemento das que a precederam, com exceção, todavia, de algumas teorias ainda hipotéticas, que tivemos o cuidado de indicar como tais e que devem ser consideradas simples opiniões pessoais, enquanto não forem confirmadas ou contraditadas, a fim de que não pese sobre a doutrina a responsabilidade delas. (1)

 

Aliás, os leitores assíduos da Revue hão tido ensejo de notar, sem dúvida, em forma de esboços, a maioria das idéias desenvolvidas aqui nesta obra, conforme o fizemos, com relação às anteriores. A Revue, muita vez, representa para nós um terreno de ensaio, destinado a sondar a opinião dos homens e dos Espíritos sobre alguns princípios, antes de os admitir como partes constitutivas da doutrina.

__________

(1) Nota da Editora: Ao leitor cabe, pois, durante a leitura desta obra, distinguir a parte

apresentada como complementar da Doutrina, daquela que o próprio Autor considera hipotética e pessoalmente dele.

 

TEXTO ENVIADO POR: Luiz Pessoa Guimarães

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